sábado, 19 de dezembro de 2015

Jari - empate de extrativistas da Comunidade de Pilões comemora primeiro ano com tensões internas e vitórias

Após um ano,  a empresa teve o "Selo Verde" suspenso pelo FSC Internacional. E na mesma data a PF fez operação de busca e apreensão por desmatamento ilegal e fraudes no sistema florestal
Comunidade de Pilões - R. Almeida - Dez\15
 
 
 
No natal passado extrativistas da Comunidade de Pilões, em Monte Dourado, distrito do município de Almeirim, na fronteira do Pará com o Amapá reeditaram a prática pacifica do seringueiro acreano Chico Mendes de enfrentamento contra o grande capital, o empate.  

A secular comunidade vive desde os anos 1960 uma peleja por território com a empresa Jari. Na época da ditadura civil militar, o empreendimento do multimilionário estadunidense passou a controlar uma gigantes porção territorial do lugar.

Atualmente é o grupo paulista Orsa que comanda um conjunto de empresas que opera no setor de celulose e com exportação de madeira.

Após um ano da realização do empate, que alegrou operários terceirizados que iriam trabalhar no dia de natal, o assédio da empresa contra os extrativistas continua, denunciam moradores que preferem o anonimato.   

Um após do empate: querelas e saldos

A “família de gaúchos” que foi processada pela empresa, e que parte participou chegou a engrossar o coro do empate, agora foi cooptada pela Jari, e tem tido uma postura contra os moradores mais antigos do lugar.

Um morador de Pilões avalia que o grande temor da empresa é que a área da comunidade, que abriga um frondoso castanhal, seja considerada pela justiça e órgãos ambientais como de uso comum.

Conforme informante, a empresa “cedeu” uma área nativa de 800 hectares de mata nativa para os “gaúchos”. E que a área tem sido devastada. Moradores acusam os funcionários Praxedes, Rafael e Pablo.

“É a empresa que tem cedido as máquinas para ramais e derrubar árvores, entre elas cedro e angelim pedra. Derrubaram pelo menos umas 20 árvores. Pelos menos uns três igarapés foram mortos” denunciam moradores. Assista ao vídeo abaixo.

 
Por cometer crimes de lavagem de créditos florestais, Jari tem “Selo Verde” suspenso verde

No dia quatro de dezembro a FSC (certificação ambiental) Internacional suspendeu certificação da Empresa Jari Florestal.

Denúncias de envolvimento em lavagem de créditos florestais, queixas trabalhistas e de violência contra as comunidades tradicionais, onde ela opera pesaram em favor da suspensão da principal certificação ambiental do mundo. O plano aprovado este ano tinha validade até 2019.  Leia AQUI

Na mesma data uma operação da Polícia Federal, Justiça Federal, Ministério Público Federal (MPF) e Ibama prendeu cerca de 16 pessoas envolvidas no esquema de desmatamento e fraudes no sistema florestal nos estados do Pará, São Paulo e Paraná, sendo três delas da empresa Jari. 

A operação envolveu buscas e apreensões em 41 endereços ligados a cinco empresas no Pará, São Paulo e Curitiba. Duas pessoas tiveram prisões preventivas decretadas, outras 16 ficaram em prisão temporária e 10 foram conduzidas coercitivamente para prestar esclarecimentos. Leia no MPF

Fraudes milionárias envolvem a Jari

O MPF esclarece que só de um dos planos de manejo, foram movimentados mais de R$ 28 milhões em madeira ilegal entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015, devido ao alto valor comercial do ipê: um metro cúbico de madeira serrada pode alcançar o preço de R$ 3 mil dólares no mercado internacional.

O ipê é considerado uma das madeiras mais resistentes, usada em deques e revestimentos para áreas externas e até parques públicos em grandes cidades dos Estados Unidos.

A Jari Florestal também comprou créditos para comercializar ipê de outras sete empresas próximas da capital paraense, Belém. Em várias dessas compras, o sistema registrou tempos curtos demais para a chegada da madeira, sendo que distância entre Belém e Almeirim é de mais de 800 km. Em uma das movimentações, a madeira enviada pela Pampa Exportações (outra empresa investigada) atravessou o Pará em apenas 10 minutos.
Saiba sobre o Empate no Jari AQUI
 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Marabá - nota da Câmara de Vereadores pode suspender estado de greve de professores

Uma reunião da categoria pode suspender estado de greve dos professores declarado na semana passada.
Em nota a direção do legislativo de Marabá esclarece que não existe nenhum projeto de lei protocolado pelo prefeito João Salame (PSB) para a suspensão de direitos adquiridos da categoria.

Belém - Sob força da lei prefeitura é obrigada a efetivar concursados aprovados em pleito de 2012

Concursados aprovados precisam entrar com mandado de segurança  contra prefeitura de Belém  para garantir nomeação

Isso tem ocorrido com professores da Escola Bosque, informa um recém nomeado, que teve que entrar com mandado de segurança para garantir o cargo ocupado por temporários nomeados ao sabor dos conchavos políticos.
O nebuloso concurso indicava um cargo em edital, e os concursados aprovados para o mesmo ao procurarem a escola, eram informados da não existência da vaga.
Ainda hoje tramita nas gavetas da burocracia projeto de lei  para equacionar o abacaxi.  

domingo, 13 de dezembro de 2015

Marabá - MST do Pará celebra 25 anos com grande feira agroecológica, reflexões e debates

O evento espera reunir  5 mil pessoas até o dia 18 no Ginásio Poliesportivo Renato Veloso
 
 
Marabá recebe de 15 a 18 de dezembro no Ginásio Poliesportivo Renato Veloso, na folha 16, Nova Marabá a Feira Estadual da Reforma Agrária do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são esperados cerca de mil trabalhadores/as.

O evento será  uma das mais representativa da Reforma Agrária do Estado, o/as camponeses/as irão trazer produtos procedentes dos assentamentos e acampamentos do MST das regiões norte, nordeste, sul e sudeste paraense.

Terá produtos como farinha, frutas, hortaliças, artesanato, fitoterápicos, licores e artesanato paraense que serão comercializados para população marabaense. Alimentos saudáveis sem uso de veneno a preços acessíveis!

Fruto da dignidade e ousadia dos Trabalhadores Rurais Sem Terra que há 25 anos lutam por Reforma Agrária Popular no Pará!

Além disso, o encontro terá debate sobre a Reforma Agrária e Análise de conjuntura com a presença de representantes de outros movimentos sociais do campo, autoridades políticas e atividades culturais. 



acesse, curta:
 


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ONU ouve atingidos pela mineração em Carajás nesta segunda, 14, em Belém

Um GT da ONU ouve um coletivo da comunidade atingida pelo Polo de Gusa de Carajás. A comissão da ONU visitará ainda a usina de Belo Monte, em Altamira
 
Fuligem do Polo de Gusa em Açailândia-MA.
 
Atingidos pela mineração em Carajás serão ouvidos por um Grupo de Trabalho da ONU, nesta segunda, 14, em Belém. Um coletivo da comunidade de Piquiá de Baixo, da cidade de Açailândia, oeste maranhense, cravado no entorno do Polo de Gusa irá representar as populações impactadas pela mineração.  

Ao longo dos 30 anos da mineração em Carajás, a atividade tem sido indutora de desmatamento, expropriação territorial das populações tradicionais, trabalho escravo e infantil, prostituição e sangria de recursos públicos, por conta da isenção garantida pela Lei Kandir, uma criação do ex presidente FHC.

Atividade cimenta a condição colonial da Amazônia, e conta com generosos financiamentos público e outras renúncias fiscais.  Saiba mais sobre a audiência AQUI

 

Sem Censura Pará - A socióloga Rosa Rocha e a trabalhadora da feira do Ver o Peso, Olídia falam sobre o filme Todo Dia é Dia de Feira

Rosa Rocha, autora do documentário e a D. Olídia, feirante do Ver o Peso
 
A socióloga Rosa Rocha e a trabalhadora da feira do Ver o Peso, Olídia participam nesta sexta feira, 11, às 14h do Programa Sem Censura Pará, na TV Cultura. 
A autora e uma das protagonistas do documentário Todo Dia é Dia de Feira falam sobre a experiência do filme, que conta com o patrocínio/Edital do Banco da Amazônia/BASA- 2015. O trabalho resulta de dissertação de mestrado defendida no departamento de Ciências Sociais da UFPA.
O primeiro lançamento ocorreu na última quarta feira, dia 09, no Sesc Boulevard.
 
Entre os cinco personagens que conduzem a narrativa, existem diferenças de geração e de trajetórias pessoais e profissionais. Alguns sempre trabalharam na feira, a exemplo de D. Carioca, outros já tiveram experiência em outros setores da economia, como no comércio e na indústria. Em comum, entre todos existe um forte sentimento de pertencimento ao local de trabalho.  A entrevistada, Olídia, trabalha na feira há 35 anos.

Madeireiros vandalizam a cidade de Dom Elizeu


Madeireiros queimam câmara municipal e caminhões com toras de madeira ilegal

Uma operação do Ibama em parceria com a Polícia Rodoviária Federal para o fechamento de três madeireiras sem registro e a apreensão de toras retiradas da floresta de forma ilegal, no município de Dom Elizeu, sudeste do Pará, motivaram que madeireiros invadissem e queimassem a câmara municipal.

O fato ocorreu no dia de ontem. Foi necessário o reforço de policiais federais dos estados vizinhos para dispersar os vândalos travestidos de empresários.

Além da casa parlamentar, os baderneiros queimaram caminhões e ameaçaram depredar o fórum da cidade.  O clima é tenso na cidade.


Violência e ilegalidade e corrupçção marcam o setor madeireiro no estado

A ação de criminosos do setor madeireiro não é uma novidade no estado. O mesmo já ocorreu nas cidades de Tailândia, Altamira e Paragominas em 2007\08. É recorrente a ameaça contra os agentes do Ibama.
 
Próximo a somar dez anos do vandalismo do setor madeireiro em Tailândia, a Justiça Federal condenou cinco empresas a pagar indenizações que somam mais de R$ 1 milhão por danos ambientais. A decisão, do juiz federal Arthur Pinheiro Chaves, condena a Tailaminas-Plac ao pagamento de R$ 41 mil, a Taiplac ao pagamento de R$ 523 mil, a GM Sufredini ao pagamento de R$ 60 mil, a Serraria Primavera a realizar uma indenização de R$ 187 mil e a Indústria e Comércio de Madeira Catarinense ao pagamento de R$ 257 mil.
Na época, cerca de 1,2 mil fornos de carvão foram destruídos, 100 autos de infração foram lavrados, houve o embargo de 52 empreendimentos e a expedição de 74 termos de apreensão e depósito, informa o Ibama.
 

 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Jari - Comércio ilegal de madeira motivou a suspensão da licença da empresa, esclarece nota FSC Brasil

Exploração de Madeira na região do Jari - R.  Almeida - 2015
 
Informe FSC Brasil  Suspensão de certificados da Jari Florestal São Paulo, 08 de Dezembro de 2015  
A Jari Florestal teve seus certificados FSC de manejo florestal e cadeia de custódia suspensos pela certificadora SCS Global Services, em 04 de novembro de 2015. A Jari Florestal detinha 715.341,56 ha de floresta certificadas pelo FSC na região do Vale do Jari/Pará, no município de Almeirim, através do certificado SCS-FM/COC-00075N, originalmente emitido em 2004, e recertificado por mais dois ciclos, em 2009 e 2014.  

Em julho de 2015, o empreendimento de manejo florestal (Jari Florestal) foi autuado pelo IBAMA por irregularidades em comercialização de madeira provenientes de outros manejos florestais no estado do Pará. A operação, então denominada “Operação Gênesis”, se desdobrou recentemente (dezembro de 2015) na “Operação Tabebuia”, por comércio ilegal de cré- ditos florestais. O certificado de manejo de florestas nativas foi suspenso como medida de precaução, bem como o certificado da cadeia de custódia devido à verificação de desvio no cumprimento das normas de cadeia de custódia, tendo sido emitida uma Não Conformidade Maior, seguida da suspensão do certificado de cadeia de custódia pela certificadora responsável. 
O FSC possui um sistema de Resolução de Conflitos, que define os procedimentos a serem adotados por certificadoras, FSC Internacional e também pela ASI – Accreditation Services International1, para apurar denúncias e encaminhar medidas concretas no caso de violação de qualquer elemento normativo do sistema FSC por uma empresa certificada ou membro, tal como a suspensão ou mesmo a perda do certificado FSC.
 
 
Informe FSC Brasil 
Suspensão de certificados da Jari Florestal
São Paulo, 08 de Dezembro de 2015

Entre a PA 150 e nenhum lugar


 

O natal se avizinha. O sol é abrasador na PA 150. Ele carrega em tom laranja por conta das queimadas. Tudo parece mais árido que o habitual. Até o vazio do peito. Coberto por uma poeira que não cessa. Seja dia. Seja noite. O sol, a poeira e o vazio torram a pele. Ardem no olho. Ferem de morte.

“Volta que o caminho dessa dor me atravessa”, a passionalidade da canção de Hooker (Johnny) retumba no oco do ouvido. O asfalto e a cerca integram a tediosa paisagem. Faz dormir e acordar a cada solavanco.

O gosto amargo da cerva consumida antes do embarque domina a boca. Vencida pela ausência de outras bocas, bundas e bucetas.

“Nos bares da Aurora me lamentei” segue a canção parida em terras de Capiba. A viagem teima madrugada a dentro. E já é outra canção antes da bateria do aparelho do celular deixar de respirar.

“Se você acha que a sua indiferença vai acabar comigo...eu sobrevivo..,a solidão será o seu castigo.” A poética de puteiro não cabe num peito. Desde “gitio” em quebradas de Gullar. Na fronteira entra a Camboa e a Liberdade quando Galeno (Bartô) reinava. Mas, poderia ser Lupicínio, para soar sofisticado.   

Em uma curva fechada a queimada arde. Por um instante parece que vai tomar o bus. Tudo muito complicado. Nem adianta ficar mordido.

Os primeiros raios do dia dão sinal de vida. Anunciam a chegada na cidade.  É lindo ver o Tocantins de cima da ponte. Não existe certeza se vale a pena a viagem. Nada pessoal. Fim de linha. Fim de papo.

Os descaminhos transbordam entre as linhas da mão.  Mapa sem destino? O vento é forte. E nada em assanhar a sua cabeleira.
Não haverá chuva neste fim de ano. Não adianta chorar. Alerta o serviço de meteorologia.  

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Marabá- professores da rede municipal declaram estado de greve

Professores prometem ocupar a câmara municipal contra medida do prefeito

 
Professores da rede municipal de Marabá declararam estado de greve na manhã de hoje,08, durante assembleia geral na sede campestre do Sintepp.

A retirada de direitos adquiridos é a motivação da categoria. O “socialista” João Salame (PSB), prefeito da cidade, e o secretário de educação, Pedro Sousa deram entrada hoje na Câmara Municipal em projeto de Lei para efetivar a redução de salários, que varia de 15 a 40%, denuncia o sindicato.  

Desde que assumiu a prefeitura Salame almeja atacar os proventos dos educadores. Declaração do Sintepp esclarece que existe a intenção em alterar o Plano de Cargos e Carreiras e Remuneração (PCC) e o Regime Jurídico Único (RJU).

Na câmara a troca de farpas por conta do tema já começou. Coronel Araújo (PR),  aliado do prefeito, defende que houve uma grande redução no orçamento. A professora Toinha do PT, argumenta que é inadmissível a retirada de direitos adquiridos.  

A partir de hoje a categoria encontra-se em mobilização e promete pressionar os edis contra o projeto de Salame.

Salame encontra-se impedido em tentar a reeleição por ter tido as contas reprovadas pelo TRE. O atual cacique da educação deve ser o candidato.
 
 
 
 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

FSC Internacional suspense certificação da Jari. A certificação correspondia ao maior plano de manejo florestal do mundo

O plano da Empresa Jari tem 545.000 hectares, e fica na fronteira do Pará com o Amapá.

 
 Exploração de madeira na região do Jari. R. Almeida\2015.  


A FSC (certificação ambiental) Internacional suspendeu certificação da Empresa Jari Florestal. Denúncias de envolvimento em lavagem de créditos florestais, queixas trabalhistas e de violência contra as comunidades tradicionais, onde ela opera pesaram em favor da suspensão da principal certificação ambiental do mundo. O plano aprovado este ano tinha validade até 2019.  

A medida foi publica no começo do mês no site do FSC Internacional. O Selo Verde, como é conhecida a sigla FSC – Forest Stewardship Council – (Conselho de Manejo Florestal, em português).  Leia AQUI
A assessoria do FSC Brasil confirma a informação, e esclarece que a chancela foi suspensa para a exploração de madeira nativa.

A empresa não conta mais com assessoria de imprensa. Todos os e-mails enviadas solicitando informações sobre o assunto retornaram. No telefone de contato com a imprensa, agora funciona como institucional. A pessoa que atende não sabe informar quem poderia esclarecer sobre a suspensão da certificação.

A Sysflor, empresa que certificou o plano da Jari, não atende ligações. Até o momento não houve resposta do email enviado solicitando informações.

A Jari
A presença da Jari na Amazônia data de tempos ditatoriais.  O multimilionário estadunidense Daniel Ludwig foi o beneficiário dos financiamentos públicos para um complexo agroindustrial que desmatou mais de 200 mil hectares de floresta densa. O Grupo paulista Orsa é quem controla o empreendimento atualmente.

A situação na área de monocultivo de eucalipto continua tensa. Leia AQUI.

Reportagem investigativa publicada no site da Agência Pública faz um profundo mergulho na história da empresa na Amazônia. Leia AQUI

domingo, 6 de dezembro de 2015

Ver o Peso na Fita- seis narrativas de feirantes da praça de alimentaçao conferem vida ao documentário


Lançamento ocorre na noite do dia 09, no Sesc Boulevard, às 18h, seguido de debate com a equipe

Arenas Amazônicas - Jari pressiona terras ancestrais na fronteira do Pará

Grandes empresas ameaçam segurança alimentar e formas de sobrevivência na Amazônia

Exploração de madeira no Jari  R. Almeida

Entre os muitos abusos cometidos pela Vale, a espionagem contra os movimentos sociais é um dos itens. Leia matéria

O grande capital, amparado pelo Estado, bajulado pela grande mídia, escudado por parte do judiciário, ao aportar na quebrada detona tudo.

Fomenta a expropriação, dilacera os laços de solidariedade antes existentes, coopta pessoas mais articuladas, fomenta discórdia entre os pares dos movimentos sociais, coloca em risco a segurança alimentar das populações ancestrais e as suas formas de reprodução econômica, cultural, política e social.   

Tem-se ainda o assédio moral, a cooptação de dirigentes, a tomada de sindicatos que um dia foram combativos, a exemplo do Sindicato dos Químicos da cidade de Barcarena. Hoje, um arremedo de representação dos trabalhadores. Matéria

Nesta semana, na mesma cidade, a Bunge foi denunciada por usar força policial para inibir a atividade de um militante na mesma cidade. Reportagem de Carlos Mendes

Noutro extremo do estado, na região do Jari, fronteira do Pará com o Amapá, as empresas conglomeradas do Grupo Jari seguem o mesmo receituário. 

Também nesta semana, a empresa, mais uma vez, foi flagrada com ações ilegais no comércio de madeira. A ação da Polícia Federal resultou em prisão de 10 pessoas envolvidas com a fraude. Leia AQUI

Lá da fronteira, extrativistas denunciam que a empresa Jari a partir do assédio dos funcionários Praxedes, Pablo e Jorge Rafael fomentam a discórdia. Uma adas estratégias tem sido a distribuição de lotes para migrantes recém chegados na região.

“Eles estão desmatando a floresta, fazendo ramais dentro do castanhal. A empresa tem explorado a madeira em nossa área na marra. Não respeita a lei nenhuma” alerta morador, que prefere o anonimato sob pena de perseguição da empresa.  

Conforme moradores, a empresa almeja tomar posse na marra de um castanhal ancestral que encontrasse em disputa judicial.

Uma longa matéria publicada na Agência Pública no início do ano, deu visibilidade sobre a delicada situação entre a empresa Jari e as populações nativas. Leia AQUI.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ver o Peso - Documentário registra vida de trabalhadores da feira de alimentação



Seis narrativas dão vida ao filme, resultado de dissertação em Ciências Sociais da pesquisadora Rosa Rocha



Com duração de 22 minutos, o documentário apresenta elementos de socialização das relações sociais de trabalho, e da identidade dos feirantes da Feira de Alimentação do Ver-o-Peso. O filme assinado pela socióloga Rosa Rocha, resulta de mais de dois anos de pesquisa no Mestrado de Ciências Sociais da UFPA/IFCH/PPGCSA, e conta com patrocínio do Edital do Banco da Amazônia – BASA, 2015. O lançamento ocorre no Sesc Doca Boulevard, no dia 09,  quarta feira, às 18h, seguido de debate com a equipe.   

Do nascer ao pôr do sol, os feirantes dona Carioca, Odília, Josy, João e Vitor são os protagonistas do registro. Falam de suas concepções e vivências, em meio as diversidades de comportamentos, de expectativas e de interesses que costuram as relações econômicas, sociais, políticas e culturais na Feira.

Na fala de um dos feirantes sobre o maior mercado a céu aberto da América Latina “[...]tudo e todos são observados. Não se passa nada na feira sem que ninguém saiba quem você é.[...] Já faz tempo que trabalho aqui [...], daqui tiro o meu sustento e da minha família [...], não sou só feirante, sou cidadão [...] e me reconheço como um trabalhador da feira”.

Entre os cinco personagens que conduzem a narrativa, existem diferenças de geração e de trajetórias pessoais e profissionais. Alguns sempre trabalharam na feira, a exemplo de D. Carioca, outros já tiveram experiência em outros setores da economia, como no comércio e na indústria. Em comum, entre todos existe um forte sentimento de pertencimento ao local de trabalho.

Para Rosa Rocha, “a experiência junto aos trabalhadores e trabalhadoras da feira foi enriquecedora como pesquisadora e ser humano”. Marcelo Rodrigues foi o cinegrafista e editor do documentário que homenageia a feirante Carioca, que por 50 anos trabalhou no Ver O Peso. A festejada operária do mercado faleceu há dois anos.

Serviço:
O que: Lançamento e debate do documentário Todo Dia é Dia de Feira!
Onde: Sesc Doca Bulevar
Dia: 09 de dezembro
Hora: às 19h
Contato - Rosa Rocha
98176 9949    

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Barcarena e a propaganda da responsabilidade social das empresas



Moradora da Praia da Vila do Conde - Barcarena

Em anúncio de meia página no diário dos Barbalhos, neste domingo, 29,  a Associação Brasileira de Exportação de Gado (ABEC) defende a retomada do embarque de boi em pé.  Em longo texto defende as “benesses” que o setor presta ao estado.

Aos moldes de um obtuso burguês elenca números da economia, ao menos os que considera positivo, como o fato da exportação de gado  ser o segundo item da balança comercial do estado. Nada é mais colonial que a imagem do boi abarrotado em navios improvisados.

Até o dia de hoje as empresas envolvidas no crime ambiental e a Companhia Docas do Pará (CDP) não apresentaram um plano de retirada das carcaças do gado e do navio.
 
Os moradores sofrem pela falta de distribuição de água potável e cesta básica, que tão básica não dura mais que um dia.

Omite que a pecuária é o setor, que ao lado da mineração e obras de infraestrutura, respondem pelos indicadores do desmatamento na Amazônia. 

Relega ao fim da fila as péssimas condições de sobrevivência das populações que foram atingidas por um conjunto de acidentes ambientais que a cidade de Barcarena acumula.
E desconsidera as pesquisas do Evandro Chagas e do departamento de Química da UFPA, que alertam sobre as péssimas condições da água do município.

Além da morte de quase 5 mil cabeças de gado, havia ocorrido dispersão da soja em rios e furos da cidade em barcas da empresa Bunge.

Ao longo dos anos os recursos hídricos da cidade estão sendo comprometidos pelos transbordamentos das barragens de rejeitos das empresas Albras e Alunorte, controladas pela norueguesa Norsk Hidro, que controla da cadeia de alumínio.  E pela francesa Ymeris, que extrai caulim.

Assim como a Abec, na mesma edição dominical, a Ymeris festejou projetos em caderno especial dedicado à responsabilidade social.  

O transbordamento da bacia de rejeitos da empresa feriu de morte o rio Curuperé, e os moradores do entorno.

Os mesmos estão impedidos de cultivar a terra e usar o rio, e ainda sofrem processo de expropriação para a expansão da fábrica.

Moradores informam que a empresa tem se recusado a pagar pelo serviço ambiental prestado peloso moradores pela manutenção da floresta em pé.


Uma moradora informa que “aqui temos castanheiras e outras árvores seculares e frutíferas, e a empresa não quer pagar por elas, que serão derrubadas. E estão colocando um preço irrisório no metro da nossa terra”.

 
Boi em queda

Nos últimos anos a exportação de gado experimenta uma queda. Segundo nota da Scott Consultoria, com base em indicadores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 27,7 mil cabeças de bovinos foram negociadas pelo Brasil até junho de 2015. Na comparação com o mesmo mês de 2014, houve uma queda de 17,2%. O faturamento foi de US$ 28,3 milhões, 13,7% menos em relação ao mesmo mês de 2014.
O Pará foi o único estado exportador de bovinos vivos este ano, porém os dados estaduais também indicaram retrocessos, segundo a Scott Consultoria.  Até a metade de 2015 foram exportadas 123,4 mil cabeças, 69,2% a menos do que na primeira metade de 2014. A queda no faturamento foi de 69,9%. No primeiro semestre de 2014, os ganhos foram em torno de US$ 401,3 milhões.  

 


domingo, 29 de novembro de 2015

Os heróis do Bar da D. Neusa


 

Pitolé tem um metro e meio. O homem magro adota o grisalho cabelo sempre curto. Bebe todo dia. Religiosamente paga com o dinheiro adquirido em sua transportadora uma buchudinha no buteco da D. Neusa.  

Pitolé é um empreendedor do setor de transporte. É um “burro sem rabo”.  Aquele que faz frete em uma carroça de madeira. No caso dele, um carro de mão. Devidamente identificado. Trata-se da Transpitolé.  

O autônomo mora na Rua do Fio, bairro da Guanabara, quebrada de Ananindeua, região metropolitana de Belém. Pitola, como é tratado pelos íntimos, cumpre a rotina em comprar a pinga e apostar no coelho.

Todos na comunidade comentam que ao contrário dos demais papudinhos, Pitolé nunca pede. Defende o troco na estiva sob o céu inclemente ou a chuva torrencial.

Vez em quando o senhor que deve somar umas 50 primaveras aparece com a face em desgraça. Resultado de algum acidente movido pela embriaguez. Louro, que encontra-se na mesma faixa etária, rivaliza no ramo de negócios de Pitolé. 

Ao contrário de Pitolé, sempre que sobra algum troco, Louro toma uma breja e fuma um preto.  Desinibido, pede cigarro e cerva. Não é tão magro como Pitolé. Em comum, os empreendedores da quebrada possuem como hábito exibir o corpo. Quase sempre estão desprovidos de camisa.  

O Bar da Neusa é a referência para encontrar os dois, além de aposentados, desempregados, funcionários públicos, professores, policiais e gente com dívida com a justiça. Alguns com o tornozelo ornado por uma pulseira preta.
 
É o Bar da D. Neusa uma catedral de vencidos? Ali divirto-me com as narrativas de Dicó.  Um senhor de mais de 70 anos. Aporta no lugar sempre de bike cargueira. A magrela é um instrumento usado pelos idosos que trocam um dedo de prosa ali.

Dicó é atravessador no negócio de filé. Já mexeu com rinha de galo, onde cumpria o papel de treinador e negociante, onde orgulha-se em ter feito inúmeras estrelas. Ele é doutor em puteiros da Pedreira. Um dia quero roubar essa história. Vai custar uns litrões de breja, consumo favorito do bem humorado senhor.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mídia de esquerdaX Avanço conservador

Desde a tarde de ontem o coro come na 21 ª edição do Curso de Comunicação do NPC, no Rio e Janeiro, na sede da Caixa Cultura, Centro. 
Em sua conformação o curso aglutina acadêmicos, dirigentes sindicais, artistas da periferia e ativistas de movimentos populares em torno da construção de uma comunicação contra hegemônica à estrutura oligárquica e oligopolista do país.  E cada vez mais careta, que a cada dia externaliza o seu verniz fascista.
Foi justo sobre este cenário que refletiram os professores José Arbex (PUC\SP), Márcia Tiburi (Mackenzie) e Francisco Fonseca (FGV).  
Fonseca indicou as principais características da mídia nacional, onde pontua tratar-se de um aparelho privado hegemônico, que exerce o papel de intelectual orgânico de setores médios ressentidos da sociedade, e “sobretudo, a mídia tem exercido o papel de partido político”, encerra.
Inquieta Arbex o aprofundamento do fosso entre uma pequena fatia da sociedade que controla a maior parte da riqueza mundial, e os que produzem. Dados apresentados pelo professor indicam que apenas 85 famílias usufruem da riqueza.
“O que estamos vivendo no momento é uma cisão da humanidade. Algo que Marx já alertava há muito tempo atrás, em seus textos quando refletia sobre civilização ou barbárie. Eu acredito que estamos alcançando a barbárie”, avaliou.
Para Tiburi o momento que vivemos é muito delicado. “O capitalismo foi alçado a dogma, onde predomina o empobrecimento da cultura na humanidade, e o ódio é disseminado a partir do discurso midiático”, taxou.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Carajás – impactados pela Vale ocupam rodovias em Canaã dos Carajás

800 trabalhadores ligados ao MST e STR organizam o ato

 
 
 
 


Desde às 5h da manhã perto de 800 trabalhadores ocuparam rodovias que dão acesso aos projetos Sossego e da mina Serra Sul (S11D), controlados pela a Vale. Os projetos ficam na cidade de Canaã dos Carajás, sudeste do Pará.

O ato que presta solidariedade ás famílias atingida pelo desastre de Mariana/MG, exige que o INCRA forneça cestas básicas para as famílias impactas pelos projetos da mineradora no Pará.

O projeto S11D, que vai extrair minério de ferro de excelente teor, é um dos maiores investimentos da companhia no Pará. Ele colocou de ponta cabeça a vida de vários agricultores, e de pequenos proprietários na região. No caso do Sossego o minério explorado é o cobre.

MST e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Canaã organizam o ato.

Informações de fotos e Thiago Cruz – Marabá-PA

 

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mídia de Esquerda é o tema da 21ª edição do Curso de Comunicação do Núcleo Piratininga/RJ

Gianotti, educador, escritor e ativista pela democratização da mídia é o homenageado


 
A Mídia de Esquerda Contra o Conservadorismo no Brasil é o tema central da 21ª edição do Curso Anual de Comunicação do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), que ocorre na cidade do Rio de Janeiro, entre 18 a 22, no auditório da Caixa Cultural.
Para debater sobre a economia mundial foram convocados os professores Ricardo Antunes (Unicamp), Luiz Pinguele Rosa (UFRJ) e Eloá dos Santos Cruz. A mesa ocorre na noite, às 19h, do dia 18.
Antes, às 16h, o papo gira em torno dos 50 anos de ditadura e seus reflexos nas ruas, nas escolas e no país, com a colaboração de Milton Pinheiro (Uneb), Sebastião Neto (IIEP), Cecilia Coimbra (Tortura Nunca Mais).
Márcia Tiburi (Mackenzie), José Arbex (PUC\SP), Francisco Fonseca (FGV) e Wladmir Safatle (USP) são os escalados para refletir a mídia conservadora.
 
Eu divido uma mesa que debate jornalista de esquerda como intelectual orgânico com a Debora Casara (Senge\SP) e a Ednúbia Ghisi (Cefúria), na manhã do 21.  Ao todo são 40 debatedores.
 
Desenvolvimento de aplicativos, transmissão ao vivo e mídias digitais para veículos sindicais são algumas das oficinas.
O ex metalúrgico, Vito Gianotti, escritor, educador e ativista pela democratização da mídia, e um dos fundadores do NPC, falecido em julho, é o homenageado do curso.
Sobre a passagem de Gianotti, o professor Ricardo Antunes avaliou “Se foi o militante da oposição sindical, um dos mais intensos; se foi o militante socialista que não gostava das burocracias e que sempre batalhou por um sindicalismo de base e de classe; se foi o militante-historiador do movimento operário que sabia que era possível lutar e refletir sobre as mesmas lutas.  

sábado, 7 de novembro de 2015

Mineração na Amazônia - nossos transbordamentos e a economia de enclave


Desde a década de 1980 a atividade registra acidentes de grandes proporções
A atividade mineral rege a economia paraense. O ferro é o principal produto, ladeado de bauxita, caulim, cobre, níquel, manganês, ouro e por ai vai. Data dos anos 1960 o início da atividade em escala industrial. Vale, Alcoa, Belo Sun, Norsk Hidro, Votorantim, Ymeris, Xstrata são algumas das empresas que protagonizam o saque das riquezas locais.
A atividade não dinamiza a economia do estado. A exportação de produtos primários ou no máximo semielaborados conforma o mercado. Recursos naturais em abundância, energia subsidiada, financiamento público, renúncia fiscal, mão de obra barata, ausência de controle social e insuficiência ou fragilidade total no monitoramento da atividade pelo setor púbico são alguns fatores que animam a presença de grandes grupos do mercado mundial.
Numa perspectiva que aprofunda a condição colonial da região, marcada pela expropriação e a espoliação das populações ancestrais, que socializam os passivos sociais e ambientais.   
Cadeia do alumínio – A Albrás e Alunorte representam o maior complexo de produção de alumínio do mundo, sediado na ilha de Barcarena. A empresa Norueguesa Norsk Hidro é a maior acionista. O empreendimento data da década de 1980, e inicialmente foi tocado pela Vale e um grupo japonês. A matéria prima, o minério da bauxita, foi encontrado no final dos anos de 1960, no Vale do Trombetas, município de Oriximiná, distante uns 900 quilômetros de Barcarena.
A atividade no Trombetas protagonizou o desastre ambiental do Lago do Batata, que foi utilizado como depósito dos rejeitos do processo da extração mineral por uma década (1979 a 1989). O desastre do Lago do Batata é considerado um dos mais graves acidentes ambientais na Amazônia. Neste momento histórico, a legislação ambiental ganhava forma.
Transbordos das bacias de rejeitos Em Barcarena- Em qualquer canto do mundo, a atividade minerária é indutora de passivos sociais e ambientais. Os acidentes continuaram a acontecer nos anos 2000, na cidade de Barcarena, como o transbordo da bacia de contenção de efluentes da fábrica Albrás e Alunorte. Um registrado em 2004, e o outro em 2009, que feriram de morte o rio Murucupi.
O rejeito do processo químico Bayer, filtra entre outros reagentes danosos à saúde humana, aos furos, igarapés e rios, o óxido de ferro insolúvel, titânio, sódio a sílica.  O produto final é chamado de lama vermelha. Somente em 2010, após seis anos do acidente, a justiça estadual condenou as empresas Alunorte e Albrás a pagar para 15 famílias quatro salários mínimos (por danos materiais) e R$ 30 mil (por danos morais). A sentença foi dada pelo juiz da 1ª Vara da Comarca de Barcarena, Raimundo Santana.
Em visita ao Distrito Industrial é possível visualizar que outras bacias de contenção de rejeitos estão sendo construídas. Isso resulta da saturação das antigas e ampliação da produção da cadeia de alumínio.
A verticalização de parte da produção da cadeia vem sido realizada pela Alubar Metais e Cabos S\A, que produz vergalhões de liga de alumínio para fins elétricos e siderúrgicos desde o início da década.
Produção de Caulim e acidentes- Já a francesa Ymeris opera com Caulim desde 1996. Em 2010, a empresa adquiriu a Pará Pigmentos S.A. (PSSA), que pertencia ao Grupo Vale. Com estrutura duplicada, a mineradora passou a ter a maior planta de beneficiamento de caulim do mundo e 71% de participação na produção de caulim no Brasil.
Em junho de 2007,  os tanques de contenção de rejeitos da empresa transbordaram  e 200 mil m³ de efluentes  tomaram as águas do rio das Cobras, e os igarapés  Cururperé e do Dendê, entre outros. Por conta do acidente, a Semas multou a empresa em R$ 5 milhões.
Em março de 2008, novo vazamento da bacia de rejeitos agravou ainda mais a situação dos moradores da Vila do Conde, que mais uma vez se viram impedidos de usarem os recursos hídricos da região - foram atingidos os igarapés Curuperé, Dendê e São João, além da praia de Vila do Conde e o rio das Cobras. Em 2014 moradores denunciaram outro vazamento. Os acidentes integram o Mapa da Injustiça Ambiental da Fiocruz.
A empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público Estadual (MPE), com mediação do promotor de justiça, Raimundo Moraes. Os valores somados ultrapassam a casa de R$ 5 milhões.
Como medidas compensatórias e indenizatórias pelos danos ambientais e morais coletivos, o MPE, recomendou à mineradora o financiamento do Projeto de Desenvolvimento de Capacidade Social para associações formais ou informais da região atingida para fortalecer a capacidade de organização, planejamento e execução de projetos.
 
O TAC estabeleceu também o financiamento de projeto de educação ambiental sob a responsabilidade da Associação Barcarenense de Educação Ambiental – ABEA, e aquisições de equipamentos necessários ao desempenho de atividades do Instituto de Perícias Científicas Renato Chaves e do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará.
 
As indenizações também foram dirigidas ao aperfeiçoamento da estrutura do Centro de Saúde da Vila do Conde, município de Barcarena, Associação dos Barraqueiros da Praia, comerciantes de Vila do Conde, amigos da Orla de Itupanema, moradores do Bairro Industrial, e famílias nativas do igarapé Curuperê.
 
Um antigo morador do local, que foi sindicalista, pontua algumas delicadas situações sobre o cenário da ilha. “Não existe controle social sobre os processos que ocorrem na cidade, o estado não possui equipamentos e pessoal qualificado para monitorar a produção e emissão dos rejeitos das grandes empresas. O que ocorre é um faz de conta. As empresas produzem relatórios e as instituições os endossam”, acusa o aposentado, que prefere não se identificar por colecionar processos por conta de denúncias de crimes ambientais que realizou.
Laudos científicos - O Instituto Evandro Chagas e o Departamento de Química da Universidade Federal do Pará (UFPA) produziram documentos sobre os riscos que corre a população. A doutora Simone Pereira, da UFPA, alerta que existe uma série de efluentes cancerígenos a ameaçar os comunitários, como o Cádio, o Btex compostos formado pelos hidrocarbonetos: benzeno, tolueno, etil-benzeno e os xilenos (o-xileno, m-xileno e p-xileno). Além de produzir artigos sobre o tema, a professora têm orientado dissertações e teses. “Os nossos rios viraram receptáculos dos efluentes das grandes empresas”, critica a pesquisadora. 
Enclave conforma a economia do Pará - O extrativismo mineral, o setor de serviços com ênfase no comércio e a administração pública integram o centro da economia do estado. Já na extração vegetal destacam-se a madeira, o açaí e o palmito.
“Em 2014, o Pará foi o sexto estado em exportação no país e o segundo melhor resultado na balança comercial na federação. Minério de ferro e boi vivo concentram as exportações”, apontam dados do Anuário Estatístico de Receitas do Pará de 2014. A exportação de produtos primários de baixo valor agregado para o mercado externo é a base da produção do estado, com efeito limitado sobre emprego e renda.
O mesmo minério que pesa no PIB é responsável por uma renúncia fiscal de 9 bilhões de reais por ano por conta da Lei Kandir (lei complementar federal n.º 87/1996), que desonera as empresas em recolher o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviço (ICMS) dos produtos primários e semielaborados.
Nas terras dos Carajás, a exploração da mina de ferro na Serra Sul, no município de Canaã dos Carajás, sudeste do Pará e a duplicação da ferrovia escrevem mais um capítulo de uma história marcada pelo saque.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Barcarena - ao celebrar o primeiro mês de aniversário do acidente que matou mais de 4 mil bois, distribuição de água e cesta básica não existe mais


Prestes a celebrar o primeiro mês de aniversário do acidente que matou quase cinco cabeças de gado, a população de Barcarena continua desassistida pelas instituições públicas e as empresas responsáveis pela compra e transporte da carga viva na Vila do Conde.

Conforme informações de moradores da Vila do Conde, a distribuição cesta básica e água não existe mais. “O que ainda estavam fazendo era distribuir arroz”, declara um morador da comunidade.

A ação desordenada entre os diferentes atores públicos marcou a ação reativa do Estado em relação ao acidente. Apesar do polo industrial, a cidade não conta com plano de contingência.  Até o acidente com o navio, não existia defesa civil.  

Barcarena, uma ilha industrial, vive sob o signo de risco de grandes acidentes ambientais. Faz uns 10 anos que acidentes de grandes proporções fazem parte da rotina de moradores tradicionais da cidade e vizinhança. 

Grandes corporações do setor de alumínio da cadeia de alumínio controladas pela norueguesa Hidro, o extrativismo do caulim pela a francesa Ymeris, a estadunidense Bunge do setor de grãos e fertilizantes são algumas estrelas da constelação.

Investigações da UFPA e do Instituto Evandro Chagas atestam o comprometimento dos recursos hídricos da cidade por conta da emissão de rejeitos dos processos químicos e dos acidentes com os transbordamentos da bacias dos mesmos em furos, igarapés e rios.  

Há o comprometimento da saúde de trabalhadores, moradores e das populações rurais. As últimas consideradas as mais vulneráveis, posto, que acabam por socializar os prejuízos causados pelos acidentes, que colocam em risco a segurança alimentar.

No Furo do Arrozal, por exemplo, pescadores compartilham os prejuízos por conta do acidente com o gado e outro com as balsas de soja da Bunge.  

Um antigo ativista ambiental analisa que “as instituições públicas responsáveis pela fiscalização e monitoramento do setor de saúde e meio ambiente não possuem estrutura e quadro de pessoas para fiscalizar de forma séria e isenta as grandes empresas que atuam na cidade”.

“Morar aqui é como dormir no pé de um vulcão ativo”, crava um técnico industrial que prefere não se identificar.