domingo, 19 de fevereiro de 2017

Jari – ampliação da monocultura de eucalipto anima conflitos na região


As situações de conflitos entre a empresa  Jari e os moradores locais persistem desde os anos 1960


A expansão do monocultivo do eucalipto da empresa Jari Celulose tem animado  situações de conflito na região do Jari entre a empresa Jari Celulose, fazendeiros e agricultores familiares, denunciam extrativistas.

“Até tiroteio já ocorreu aqui nos últimos dias”, informa comunitário que pediu sigilo do seu nome. Conforme os moradores do local, as pessoas que possuem melhor condições financeiras têm invadido as terras das famílias mais frágeis com vistas a alcançar o fomento da Fundação da Jari. O fomento é uma estratégia de terceirizar a produção.   

Extrativistas do município de Almeirim, no oeste paraense, que travam uma peleja judicial contra a empresa para a manutenção de reserva de um castanhal, denunciam que um projeto de fomento da empresa Jari mediado pela Fundação Jari é o responsável pela agudização da disputa por terra, desmatamento e ameaças a quem se opõe ao projeto.

A fundação é um braço da empresa dentro do local do monocultivo. O projeto fica na fronteira dos estados do Pará com o Amapá. Criado durante o regime militar para atender demandas do multimilionário estadunidense Daniel Ludwig, atualmente é controlado pelo Grupo Orsa, com sede no estado de São Paulo.

Saiba mais sobre a questão AQUI

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Professor lança livro em ocupação da UFOPA


Obra trata sobre políticas de desenvolvimento na Amazônia  




20 trabalhos dão corpo ao livro Pororoca pequena: marolinhas sobre a(s) Amazônia (s) de Cá, a ser lançado na tarde do dia 21, segunda feira, às 17, na ocupação da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

Os ensaios, artigos científicos e jornalísticos, reportagens e entrevistas estão divididos em quatro seções: a) Estado e os grandes projetos, b) Araguaia-Tocantins- território em disputa, c) Belém- a cidade e d) entrevistas com dirigentes sindicais e populares, assessores e uma com o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que assina a orelha da obra.  

O livro assinado pelo jornalista e professor da UFOPA, Rogério Almeida tem o patrocínio do Bando da Amazônia. Na época o projeto da obra concorreu com outros 862 de toda região, e foi classificado entre os 37 da seção de cultura. O autor é mestre pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA\UFPA), onde teve pesquisa laureada com o Prêmio NAEA\2008.

O material compreende produções realizadas entre os anos de 2003 a 2009. A revista paulista Caros Amigos, o Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (LPP/UERJ), a Revista Democracia Viva do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE/RJ), Revista Estudos Avançados da USP, os sites da rede Fórum Carajás e Ecodebate foram alguns dos espaços que ajudaram na publicização do material.

As dinâmicas econômicas, sociais e políticas da Amazônia estão no centro da preocupação do trabalho. A ênfase recai sobre a disputa por territórios, os grandes projetos e os seus desdobramentos. O professor da UFPa Jean Hébette, - falecido na semana passada - reconhecida autoridade intelectual em temáticas amazônicas assina o prefácio. Ele sublinha que “a linguagem do livro flui, escapando ao formato acadêmico, e que o mesmo constitui uma fonte preciosa de dados, coletados em fontes confiáveis”.

O blog do autor (FURO) abrigou alguns produtos, além da Revista Sem Terra. Tem-se ainda a publicação de material em encontros nacionais de pesquisadores, a exemplo do 3º Encontro da Rede de Estudos Rurais, ocorrido em Campina Grande, Paraíba, em setembro de 2008. O artigo apresentado aborda os 20 anos de luta pela terra na região do Araguaia-Tocantins. Almeida produz conteúdos sobre a região há quase duas décadas.

As realidades dos mundos rurais dão corpo ao projeto. A exceção é o capítulo dedicado à cidade de Belém. Duas reportagens pontuam nuances da metrópole. O primeiro trata da militância cultural centrada na música, a partir do grupo Coletivo Rádio Cipó. A trupe nascida no bairro da Pedreira, conhecida zona boêmia. Dona Onete e mestre Laurentino, como reza o clichê, são as estrelas da companhia. O segundo recupera fragmentos dos 120 anos do Bosque Rodrigues Alves, um naco de floresta em meio à cidade.

O Baixo Amazonas aparece em na obra com a artigos sobre mineração e geração de energia, além de entrevistas com dirigentes populares da região. Pororoca Pequena é a terceira obra autoral do autor, que tem integrado equipes em edições de livros e revistas que tratam de temáticas amazônicas.  Atualmente o coordenador do Curso de Gestão Pública trabalha na edição da série em três volumes Arenas Amazônicas.  Um diálogo sobre Grandes Projetos na Amazônia, que tem como convidado o comunicador, escritor e padre Edilberto Sena, que também apresentará obras de sua autoria.  O lançamento do livro é um ato de apoio à ocupação dos estudantes.
Serviço
Lançamento do livro Pororoca pequena – marolinhas sobre a (s) Amazônia (s) de Cá.
E debate sobre Grandes Projetos na Amazônia com a participação do Edilberto Sena
Ocupação da UFOPA, Unidade Amazônia
Dia 21 de novembro
Hora: 17h
Páginas – 212
Preço – R$20,00

domingo, 12 de junho de 2016

Dois encontros questionam a mineração em Carajás


O VIII Encontro Regional dos Atingidos pela Mineração no Pará e Maranhão ocorre dentro da Semana de Nacional Mobilização Contra a Mineração

 Ocupação de atingidos pela mineração em Canaã - Foto T. Cruz 

Canaã de Carajás, no sudeste do Pará, abriga de 17 a 18 de junho O VIII Encontro Regional dos Atingidos pela Mineração no Pará e Maranhão. O Movimento de Atingidos pela Mineração (MAM), o Movimento Debate e Ação e a ONG Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp) estão entre os organizadores.


O VIII encontro de atingidos do Pará ocorre dentro da agenda de Mobilização Nacional de Mobilização Contra a Mineração. A cidade de Canaã dos Carajás é o lócus onde a Vale desenvolve ao longo de 40 anos, o maior projeto de mineração no país, localizado na Serra Sul (S11D).

O Projeto S11D
O S11D desponta no cenário atual como uma representação do Grande Carajás no século XXI. Com o projeto, a mineradora vai incrementar a produção de ferro em 90 milhões de toneladas por ano, mas com capacidade de dobrar a produção. O mercado asiático tem sido o destino do minério de ferro de excelente teor das terras dos Carajás, em particular a China e o Japão.

A previsão é que a usina inicie as operações até 2016. A iniciativa, que inclui mina, duplicação da Estrada de Ferro de Carajás - EFC, ramal ferroviário de 100 km e porto, está orçada em US$ 19,5 bilhões.

Os recursos estão distribuídos da seguinte forma: a logística consumirá US$ 14,1 bilhões; US$ 8,1 bilhões serão usados na mina e na usina; enquanto US$ 2 bilhões serão usados durante o ano.
Agenda do Encontro -   diálogos e troca de experiências entre as populações atingidas dos dois estados, estudos dirigidos e exibição de filmes sobre impactos da mineração na Amazônia, místicas e ações culturais fazem parte da dinâmica do encontro que ocupará escolas, praças e acampamentos de atingidos.
 
Mais informações
Raimundo Gomes - (94) 99132 5167

domingo, 8 de maio de 2016

Sindicato dos Químicos de Barcarena – após quase 10 anos, fundadores voltam a ocupar a instituição

Oposição sindical retoma sindicato dos químicos de pelegos em Barcarena

 
Um estado dentro do estado é uma das características das grandes corporações que operam na Amazônia. Assim, empresas como a Alcoa, Vale, Jari, Norsk Hidro, Belo Sun e Imerys Rio Capim, dentre outras, tendem a controlar a vida laboral e lazer dos funcionários, onde a company town (cidade empresa) é uma das estratégias.

Para a torcida (sociedade?), os que resistem a cooptação, o recurso adotado é a responsabilidade social via alguns programas assistenciais e robusta propaganda. Anúncios pagam pelo silêncio dos principais veículos de comunicação, que ao menos em tese deveriam zelar pelo interesse público.  

Nesta perspectiva, quase nunca ocorre visibilidade dos passivos sociais e ambientais que os grandes projetos engendram nos rincões onde desenvolvem o saque dos recursos naturais, promovem a expropriação e espoliação junto às populações originárias.

 

As operações danosas à saúde da população, como a emissão de várias modalidades de rejeitos no meio ambiente não é monitorada ou fiscalizada pelo estado. Conforme a audiência pública ocorrida em novembro, um dos graves problemas tem relação com os recursos hídricos da cidade, que estariam comprometidos.  

O Sindicato dos Químicos de Barcarena, representante dos operários da Alunorte, até 2007 cumpria esse papel: denunciar os desastres das grandes empresas que operam no município. 

A Alunorte  integra a cadeia produtiva do alumínio no Pará ao lado da Albras e das minas em várias cidades do estado, a exemplo de Paragominas e Oriximiná.  Desde o começo do projeto, no século passado, a Vale foi a acionista majoritária. Atualmente a norueguesa Norsk Hidro detém a hegemonia.

Até aquele ano, o sindicato integrava uma série de redes de instituições do campo popular dentro e fora do país. Nelas era possível encontrar de pescadores da região a pesquisadores e sindicalistas da Europa.

Seminários, publicações, fóruns e articulações serviram como espaços de formação para o aprofundamento do conhecimento e tomada de consciência sobre cidadania e direito. Tais espaços possibilitaram que os crimes ambientais e sociais não ficassem circunscritos aos ambientes paroquiais dos rincões. 

Fórum Carajás, Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), diálogos com centrais sindicais da Alemanha e com a Universidade de Bonn eram algumas das capilaridades do Sindicato dos Químicos. A mesmas tiravam a empresa Vale do eixo, posto não poder coagir as falas dos representantes do sindicato.

Foi justo contra a articulação sindical que a empresa organizou uma chapa para a tomada da representação dos trabalhadores em 2007. Assédio em todas direções, cooptação, e até jagunços foram usados, denuncia nota da CUT da época.

Neste interstício, uns ousaram organizar a oposição sindical. Gilvandro Santa Brigida, que foi um dos fundadores do sindicato na década de 1990, é um ponta de lança. O hoje sociólogo e educador foi recolocado na direção da casa dos operários no último dia 05, quando da eleição, onde a chapa da Oposição Sindical obteve quase 80% dos votos do operariado.  

Em suas mãos e de demais entrincheirados, uma hercúlea missão:  recompor a instituição e recoloca-la em seu papel de vanguarda nas lutas populares do município e reorganizar as alianças em diversos escalas e níveis.  Saravá ! Axé!  

domingo, 1 de maio de 2016

Amazônia - Vale move ação contra ato de solidaderiedade aos atingidos pelo crime ambiental de Mariana

 
O professor da Unifesspa Evandro Medeiros e os ativistas Tiago Cruz, Iara Reis, João Reis, Waldy Gonçalves Neves estão sendo processados pela Vale. O ato  de solidariedade aos atingidos pelo crime ambiental da Vale em Mariana ocorreu em novembro do ano passado.
 

Evandro Medeiros- professor da Unifesspa

No dia 20 novembro do ano passado, data dedicada ao Dia da Consciência Negra, educadores, professores, ativistas e população atingida pelos projetos da Vale, realizaram ato em solidariedade às famílias atingidas pelo crime ambiental da mesma empresa ocorrido na cidade de Mariana, em Minas Gerais.

A mobilização foi realizada às margens da Estrada de Ferro de Carajás, na periferia de Marabá, no sudeste do Pará. Nas terras dos Carajás a Vale extrai minérios há mais de 30 anos. A economia baseada na lógica do enclave não dinamiza o desenvolvimento.

Ao contrário, acentua ainda mais a condição de miséria por conta da Lei Kandir, que favorece a exportação de produtos primários com a isenção de recolhimento de impostos.  O estado do Pará é duplamente punido.

Numa ponta o BNDES financia a juros módicos tais iniciativas de grandes corporações, noutro isenta de impostos, subsidia energia e água, cede território, não monitora ou fiscaliza as operações, e aprofunda a precarização do trabalho por grosso volume de empresas terceirizadas. Os péssimos indicadores coroam o triste bolo dos 30 anos de operação da mineradora na região.
 
Neste cenário, por protestarem e solidarizarem aos atingidos pela mineração em Mariana, o educador e cineasta Evandro Medeiros, professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) responde a inquérito civil movido pela Vale.  Além do professor são arrolados no mesmo processo Tiago Cruz, Iara Reis, João Reis, Waldy Gonçalves Neves.

A oitiva ocorre no próximo dia 05. Movimentos sociais, educadores, estudantes e ativistas prometem a realização de um grande ato em solidariedade aos ativistas criminalizados.  

Grandes projetos e seus múltiplos tentáculos

O fim do licenciamento ambiental para grandes obras é o capítulo mais recente no espetro de agenda de avanço do grande capital sobre ao terra e o recursos naturais na Amazônia, e em outros território nacionais.

O processo marcado pelas formas de acumulação primitiva do grande capital, que engendra todo tipo de violência contra as populações locais, tem nas grandes empresas o ponta de lança, que constrangi o Estado a alinhamento a seus interesses.

As reformas dos códigos florestal e mineral, a criminalização das lutas populares, alçadas à categoria de terrorismo são materialidades deste processo.  Movimentos sociais que amiúde têm sido alvo de arapongagem das empresas e do Estado, como nos nossos casos dos ativistas do Xingu Vivo e de Carajás.

A criminalização e a judicialização das ações dos movimentos populares e ativistas, que fazem oposição aos grandes projetos passou a ser recurso de coerção. Segundo a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos do Pará (SDDH), o estado contabiliza cerca de 40 casos de criminalização das ações dos movimentos sociais no estado do Pará. 18 deles estão judicializados. Esbulho possessório, cárcere privado, desacato, incitação ao crime, posse ilegal de armas, danos, perturbação da ordem pública são as acusações mais recorrentes.


Os acusados são ativistas de movimentos sociais, que buscam a garantia de direito básicos (posse da terra, trabalho, território e educação). Entre os movimentos é possível identificar, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens, Movimento dos Atingidos pela Mineração (MAM), além de indígenas, pescadores, extrativistas e quilombolas.

Em linhas gerais, as disputas possuem relação com avanço do capital sobre a Amazônia, a partir da agenda de desenvolvimento baseada em grandes projetos, a exemplo da construção da hidrelétrica de Belo Monte, na cidade de Altamira, sudoeste paraense, e a ampliação dos projetos de mineração na região de Carajás, da empresa Vale, no sudeste do Pará, e monocultivos de soja e complexos portuários no Baixo Amazonas.

Em janeiro deste ano os ativistas do MAB Roquevam Alves Silva, Euvanice de Jesus Furtado e Roger Balieiro da Veiga foram condenados em sentença decretada pelo juiz federal Marcelo Honorato, da 1ª Vara da Subseção Judiciária de Marabá. Os ativistas foram condenados por uma ação realizada em 2007 no município de Tucuruí.